quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Construindo o Futuro



Para construir o futuro é preciso amar daquela vez como se fosse a última. É preciso beijar sua mulher como se fosse a última, e cada filho seu como se fosse o único, e atravessar a rua com o passo tímido. É preciso subir nessa construção do futuro como se fosse máquina. É preciso erguer num patamar quatro paredes sólidas, tijolo de Deus com tijolo de Deus num desenho mágico, com os olhos embotados de cimento e lágrima. É preciso descansar apenas no sétimo dia. É preciso comer feijão com arroz como se fosse um príncipe. É preciso beber e soluçar como um náufrago, dançar e gargalhar ouvindo música. É preciso tropeçar no céu como se fosse um bêbado. É preciso flutuar no ar como se fosse um pássaro. E se acabar no chão feito um pacote flácido, e agonizar no meio de um passeio público. Morrer na contramão atrapalhando o tráfego.

Para construir o futuro é preciso amar daquela vez como se fosse o último. É preciso beijar sua mulher como se fosse a única (se ao menos você tiver uma). E cada filho seu como o pródigo, e atravessar a rua com o passo bêbado. Subir a construção como se fosse sólido, erguer no patamar quatro paredes mágicas, tijolo de Deus com tijolo de Deus num desenho lógico. É preciso ter os olhos embotados de cimento e tráfego. Não se deve sentar e descansar como um príncipe. Nem comer feijão com arroz como se fosse o máximo; há que se ir além, há que se ter mistura. Para construir o futuro é preciso beber e soluçar como máquina, é preciso dançar e gargalhar como o próximo, é preciso tropeçar no ar como música, flutuar no céu como sábado e se acabar no chão feito um pacote. Tímido. Agonizar no meio do passeio náufrago. Morrer na contramão atrapalhando o público.

Para construir o futuro não se deve amar daquela vez como se fosse máquina, não se deve beijar sua mulher como se fosse lógico, não se deve erguer num patamar quatro paredes flácidas. Evite sentar pra descansar na posição "pássaro". Essa posição exige meditação profunda. Só assim você pode flutuar no ar como se fosse um príncipe. Senão você se acaba no chão feito um pacote. Bêbado. Morre na contramão atrapalhando o sábado.

E lembre-se: no fim apenas a paz derradeira vai nos redimir.

Se acha que faltou algo...


Deus lhe pague.


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